Arquivo da categoria: Patrimônio da Humanidade

PATRIMÔNIO da HUMANIDADE

           A UNESCO, Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura, é uma Agência especializada da ONU responsável pelo desenvolvimento de ações com o objetivo de contribuir para a paz e a segurança do mundo, tendo como instrumentos a educação, a ciência, a cultura e as comunicações.

            Essa organização foi fundada em 1945 e sua sede está localizada em Paris.

            Dentre as ações desenvolvidas pela UNESCO podemos destacar as seguintes:

a)       Em 1948 recomendou que os Estados-Membros deveriam tornar o ensino primário obrigatório e universal, ação que culminou no compromisso assumido pelos governos membros em alcançar a educação básica para todos até 2015 (Fórum Mundial de Educação de 2000 realizado em Dakar (Senegal);

b)       A organização promoveu a proteção de sítios de relevante interesse cultural para a Humanidade, com destaque para a campanha de remoção do Templo de Abu Simbel (Egito) para que não fosse destruído pelo represamento das águas do rio Nilo na Represa de Assuã.  Nessa campanha foram relocados 22 monumentos e conjuntos arquitetônicos.

c)       Outras campanhas semelhantes foram levadas a cabo em diversos países, incluindo o Mohenjo-daro (Paquistão), Fes (Marrocos), Katmandu (Nepal),Borobudur( Indonésia) e a Acrópole (Grécia).

d)       A UNESCO lançou, em 1970, o “Programa Homem e Biosfera”, com o objetivo de organizar uma rede de áreas protegidas, denominadas de Reservas da Biosfera, que representam os diferentes ecossistemas do planeta e cujos países proponentes se responsabilizam em manter e desenvolver.

         As Reservas Mundiais da Biosfera possuem três funções básicas:

  • conservação das paisagens, ecossistemas e espécies;
  • promover o desenvolvimento econômico e humano que seja sustentável sob o enfoque cultural, social e ecológico;
  • Suporte para pesquisas, monitoramento e educação.

          O Brasil possui atualmente sete (7)  Reservas da Biosfera associadas ao programa “Homem e Biosfera”, criado pela UNESCO:

e)       O trabalho da Organização quanto ao aspecto da proteção ao patrimônio cultural e natural levou à adoção, em 1972, da Convenção sobre a Proteção do Patrimônio Mundial Cultural e Natural, culminando na criação do Comitê do Patrimônio Mundial em 1976.

           Em 1978 a UNESCO apresentava os primeiros  locais inscritos na Lista do Patrimônio Mundial já em 1978.

         Em 2011 já havia um total de 936 sítos listados na UNESCO, sendo 725 culturais, 183 naturais e 28 mistos, contemplando 153 países distintos.

        O quadro a seguir apresenta a distribuição dos sítios eleitos como patrimônio mundial pela UNESCO, segundo a natureza e a região onde se encontram:

Região Cultural Natural Misto Total % Número de países com locais   classificados
África 45 33 4 82 9% 30
Países   árabes 64 4 2 70 7% 16
Ásia/Pacífico 143 53 9 205 22% 31
Europa/América do Norte 384 58 10 452 48% 50
América   Latina/Caribe 89 35 3 127 14% 26
Total 725 183 28 936 100% 153

               O Brasil possui 19 áreas consideradas como sendo patrimônio mundial pela Unesco.  A tabela a seguir apresenta um breve resumo dessas áreas e sua importância:

NOME NATUREZA e ANO IMPORTÂNCIA
Cidade Histórica de Ouro Preto (MG) Cultural – 1980 Conjunto   arquitetônico do Séc. XVII com obras do escultor barroco Antonio Francisco Lisboa,   “Aleijadinho”.
Centro Histórico de Olinda (PE) Cultural – 1982 Cidade fundada pelos portugueses   no século XVI vinculada à indústria da cana de açúcar.
Missões Jesuíticas Guarani (Brail e Argentina) Cultural – 1983 e 1984 Construídas em território guarani durante os   séculos XVII e XVIII, estas missões se caracterizam por seu traçado   específico
Centro Histórico de Salvador Cultural – 1985 Primeira capital do Brasil (1549-1763), Salvador   tem sido um ponto de confluência de culturas europeias, africanas e   ameríndias.
Santuário de Bom Jesus de Matosinhos (MG) Cultural – 1985 Segunda metade do século XVII. Grupos   escultóricos policromos de Aleijadinho, que são obras primas de uma arte   barroca.
Parque Nacional do Iguaçu (Brasil e Argentina) Natural – 1986 O parque abriga numerosas espécies raras de flora   e fauna em perigo de extinção e uma série de cascatas sem paralelo.
Plano Piloto de Brasília (DF) Cultural – 1987 Brasília é um rito de grande importância na   história do urbanismo.
Parque nacional da Serra da Capivara (PI) Cultural – 1991 Presença de pinturas rupestres com mais de 25.000   anos constituem um testemunho excepcional de uma das mais antigas comunidades   humanas de América do Sul.
Centro Histórico de São Luis (MA) Cultural – 1997 Grande número de edifícios   históricos de qualidade excepcional, construídos no séc. XVII, que fazem de   São Luis um exemplo de cidade colonial ibérica única em seu gênero.
Centro Histórico de Diamantina (MG) Cultural – 1999 Cidade colonial  testemunho da aventura dos mineradores de   diamantes do século XVIII
Reservas de Mata Atlântica do   Sudeste (PR e SP) Natural – 1999 As 25 zonas protegidas que formam o sítio somam   uma superfície de 470.000 hectares e ilustram a riqueza biológica e a   evolução dos últimos vestígios do mata atlântica. Desde as montanhas cobertas   por tupidos bosques até os pântanos e ilhas costeiras com montanhas e dunas   asiladas
Reservas de Mata Atlântica da   Costa do Descobrimento (BA e ES) Natural – 1999 São oito zonas protegidas, separadas entre si ,   que somam 112.000 hectares de mata atlântica e arbustos associados   (“restingas”). Os bosques úmidos da costa atlântica do Brasil possuem a   biodiversidade mais rica do planeta. O sitio abriga uma ampla gama de   espécies endêmicas e ilustra um modelo de evolução de grande interesse para a   ciência e a conservação do meio ambiente.
Parque Nacional do Pantanal   Matogrossense (MT e MS). Natural – 2000 Quatro zonas protegidas, com uma superfície total   de 187.818 hectares. Situada no extremo sul oriental do Estado de Mato   Grosso, esta zona de conservação abarca as cabeceiras dos rios Cuiabá e   Paraguai. O sítio representa o 1,3% do pantanal brasileiro, um dos   ecossistemas de umidade de água doce mais vastos do mundo. A abundância e a   diversidade de sua vegetação e fauna são as características mais   espetaculares da reserva.
Parque Nacional do Jaú (AM). Natural – 2000 Seis milhões de hectares.Zona   protegida mais vasta da bacia do Amazonas, uma das regiões do planeta  com a mais rica biodiversidade. Ecossistemas   de várzea, bosques de igapó, lagos e rios que formam um mosaico aquático onde   vive a maior variedade de espécies de peixes elétricos do mundo.
Reservas de Fernando de   Noronha e Atol das Rocas (PE e RN) Natural – 2001 Devido as suas águas ricas em nutrientes, o sítio   é de suma importância para a alimentação e reprodução de atuns, tiburones,   tartarugas do mar e mamíferos marinhos. Estas ilhas abrigam a maior   concentração de aves marinhas tropicais do Atlântico Ocidental.
Parques Nacionais de Chapada   dos Veadeiros e das Emas (GO) Natural – 2001 Estes parques abrigam a flora, fauna e habitats   característicos do “cerrado”, um dos ecossistemas tropicais mais antigos e   diversificados do mundo.
Centro Histórico de Goiás   (GO) Cultural – 2001 Goiás constitui um testemunho da ocupação e   colonização do interior de Brasil nos séculos XVIII e XIX.
Praça de São Francisco (SE) Cultural – 2001 Este conjunto monumental, unindo as casas dos   séculos XVIII e XIX que o rodeiam, cria uma paisagem urbana reflexo da   história da cidade desde suas origens. O complexo franciscano é um exemplo da   arquitetura típica desenvolvida por esta ordem religiosa no nordeste de   Brasil.
Rio de Janeiro (RJ) Misto – 2012 O resultado é a consequência de um estudo   minucioso do Iphan em que se avaliou a forma criativa com que o habitante se   adaptou à topografia excepcionalmente bela e irregular da cidade, inventando   modos inéditos de usufruir a vida.

                A conclusão é simples: devemos proteger nossas riquezas naturais e culturais, que não são poucas, em benefício das gerações futuras, preservando componentes históricos e os ecossistemas para o desenvolvimento mais harmônico, racional e equilibrado do país.

                Outra conclusão é que nosso país deve promover gestões para inserir outros componentes naturais e culturais na lista da UNESCO, tais como o Delta do Parnaíba, os Lençóis Maranhenses, a Caatinga e o Rio São Francisco, todos representativos da riqueza cultural brasileira e da complexidade de nossos ecossistemas.

marceloquintiere@gmail.com

MQuintiere@twitter.com

(*)  Esse artigo contou com informações obtidas no site WWW.wikipedia.org/wili/categoria : Patrimônio Mundial da UNESCO.