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A Biorremediação de Lixões

De acordo com a Pesquisa Nacional de Saneamento Básico – PNSB – 2008, realizada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística – IBGE – e editada em 2010, a disposição final de lixo nos municípios brasileiros é dividida da seguinte forma:

  • 50,8 % em lixões;
  • 22,5 % em aterros controlados;
  • 27,7 % em aterros sanitários;

A prevalência dos lixões demonstra que grande porcentagem do lixo gerado diariamente não recebe o tratamento adequado, representando inconsistências e fragilidades da gestão pública dos resíduos sólidos no Brasil.

Além disso, a presença de lixões significa maiores riscos para a saúde humana e comprometimento da biodiversidade, além de maior probabilidade de degradação da qualidade do ar, solo e água.

Entretanto, devemos considerar, por outro lado, que este quadro caótico representa enormes possibilidades econômicas vinculadas à recuperação de áreas degradadas dos lixões, implantação de indústrias de reciclagem, modernização tecnológica de indústrias de segmentos tradicionais (cimento, papel e celulose, eletroeletrônicos, siderúrgicas, etc.), consultorias ambientais, empresas especializadas na elaboração de projetos e outras.

A biorremediação consiste geralmente em um processo biológico que utiliza microorganismos tais como fungos, plantas, algas verdes ou suas enzimas para degradar compostos poluentes, permitindo a recuperação das águas ou solos contaminados.

A biorremediação pode ser empregada para atacar contaminantes específicos no solo e águas subterrâneas, tais como aquelas derivadas da degradação de hidrocarbonetos do petróleo e compostos orgânicos clorados.

Entretanto, nem todos os contaminantes são facilmente tratados pela biorremediação: materiais não biodegradáveis (plásticos, borrachas, vidro, metais, etc.) ou de difícil degradação (tecidos, couro, madeira, etc.) não são completamente processados pela via biológica.

Por exemplo, os metais pesados tais como o cádmio e o chumbo, não são absorvidos nem capturados prontamente pelos microorganismos, porém, podem ser transformados em compostos menos perigosos.

Por se tratar de um processo natural a biorremediação promove o tratamento adequado do meio ambiente contaminado (ex.: lixão) a um custo relativamente baixo quando comparado às alternativas convencionais de tratamento de resíduos sólidos.

A obtenção de um rendimento elevado pode ser alcançado mediante o controle  das condições que favorecem a atividade microbiana, como por exemplo:

  • Teor de nutrientes;
  • Tempo de retenção dos microorganismos;
  • Atividade enzimática;
  • Temperatura;
  • Ausência de oxigênio;
  • pH do meio a ser tratado;
  • Umidade, etc.

Em termos simplificados o processo de biorremediação de lixões se inicia com a divisão da área utilizada pelo lixão em células isoladas e impermeabilizadas.

Os microorganismos utilizados podem ser multiplicados inicialmente em condições de laboratório e, após o controle e monitoramento dos parâmetros que favorecem sua atividade, serão inoculados no interior das células do lixão e passarão a digerir os resíduos presentes.

Após o período de decomposição dos resíduos teremos um produto orgânico bastante rico em nutrientes que poderá ser empregado como adubo verde com um custo menor do que aquele associado aos fertilizantes químicos importados.

Outro produto gerado no processo de biorremediação é o gás metano, fruto da digestão anaeróbica da matéria orgânica presente nos lixões.  O metano pode ser simplesmente queimado ou usado para geração de energia elétrica.

A eliminação do metano pela queima ou o seu uso como fonte de energia elétrica possibilita uma considerável redução em termos de poluição da atmosférica, ensejando o enquadramento do projeto de biorremediação como um MDL – Mecanismo de Desenvolvimento Limpo.

Ao ser considerado efetivamente como MDL, a biorremediação fará jus ao recebimento de valor financeiro a título de Crédito de Carbono, remunerando a prefeitura responsável pelo projeto.

Além disso, a biorremediação possibilita o uso racional da área destinada ao recebimento dos resíduos sólidos, tornando desnecessária a aquisição ou o aluguel de novas áreas.

Devemos considerar que muitos dos nossos municípios já não dispõem de áreas para disposição final dos resíduos gerados, o que os obriga a arcar com elevados custos do transporte para municípios distantes, sem desconsiderar o custo vinculado ao aluguel de novas áreas e o desgaste perante a opinião pública.

A biorremediação permite que o município utilize continuamente apenas uma área para depósito e tratamento dos seus resíduos.

Resumidamente o processo da biorremediação pode gerar diversos benefícios à sociedade e ao meio ambiente, tais como:

  • Redução de doenças;
  • Menor contaminação do solo;
  • Menor contaminação da água subterrânea;
  • Redução da emissão de metano;
  • Estabilização da matéria orgânica;
  • Possibilidade de geração de créditos de carbono, uma vez que o metano produzido nos lixões passará a ser usado para geração de energia elétrica;
  • Redução de custos com aquisição de novas áreas para disposição do lixo e com o transporte;
  • Inserção / resgate de mão de obra menos qualificada;
  • Imagem do município;
  • Possibilidade de obtenção de receita adicional com venda de matéria orgânica já tratada, atendendo ao cinturão verde do município.marceloquintiere@gmail.com

    MQuintiere@twitter.com

 

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