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SUSTENTABILIDADE – ASFALTO ECOLÓGICO

Mais um ano vai chegando ao fim, trazendo o Natal, o Réveillon e nossas merecidas férias.

Quanto ao destino de nossas viagens nacionais as opções são conhecidas: serra, praia, etc. Da mesma forma temos duas alternativas preferenciais quanto ao meio de transporte: avião ou automóvel.

Se você optar pela viagem de automóvel conseguirá escapar das longas filas nos aeroportos e terá maior flexibilidade quanto aos horários, mas enfrentará alguns problemas: o custo mais elevado e os riscos presentes nas nossas estradas.

Viajar pelas rodovias brasileiras constitui um risco considerável em razão dos assaltos, acidentes, falhas mecânicas, etc, pois, apesar do processo de concessão à iniciativa privada, ainda temos muitos desafios a superar no quesito referente à conservação.

A falta de sinalização, o excesso de veículos, o desrespeito às regras de trânsito, a insistência em dirigir em velocidade incompatível e os BURACOS formam um conjunto perigoso e, muitas vezes, intransponível.

E por falar em buracos…

A quantidade inacreditável de buracos e falhas no asfalto é responsável pelos acidentes crescentes e pela insegurança nas estradas.  Mas por que temos tantos buracos?

A resposta está associada ao péssimo trabalho de construção e manutenção executado pelas diversas empreiteiras ao longo das décadas, burlando os processos licitatórios e oferecendo materiais e métodos inferiores ao estabelecido nos editais do governo.

Assim, convivemos passivamente durante décadas com verdadeiras quadrilhas que assaltavam os cofres públicos e apostavam na leniência, despreparo e corrupção daqueles que deveriam nos proteger.

O resultado pode ser medido nas 50.000 pessoas mortas e nos outros milhares de mutilados a cada ano, sem desconsiderar o custo financeiro associado às perdas materiais.

Mas uma luz vem surgindo no final do túnel: o uso do asfalto ecológico.

O asfalto ecológico é um asfalto modificado pela adição de borracha moída de pneus e vem sendo utilizado de forma crescente no Brasil e em outros países, com vantagens significativas:

  •  Aumento da durabilidade ou vida útil do revestimento em até 40%;
  • Maior aderência, o que ajuda a evitar derrapagens e reduz o spray causado pelos pneus em dias de chuva;
  • Pode ser utilizado em qualquer rodovia com as mesmas condições da aplicação do asfalto convencional;
  • Possibilita o descarte racional e ambientalmente adequado de aproximadamente 700 pneus inservíveis para cada quilômetro de rodovia.

 No Brasil o asfalto-borracha começou a ser usado pelo Grupo EcoRodovias em caráter de teste em 2002 e está presente na região do planalto das rodovias Imigrantes (km 12 ao 40) e Anchieta (km 10 ao 40), na serra da via Anchieta (km 40 ao 55) e em outros pontos, como na marginal da Anchieta, em Cubatão, e em parte da Interligação Planalto.

 Em 2011, o asfalto-borracha foi usado no recapeamento do trecho de baixada da Imigrantes (km 55 ao 70) e está sendo aplicado na rodovia Cônego Domênico Rangoni, do km 270 ao 248.

 A adição da borracha dos pneus (de 5 a 20% do volume asfáltico) possibilita maior elasticidade ao pavimento, ou seja, maior capacidade de dilatação e contração conforme as variações de temperatura sem que isso implique na abertura de fissuras na superfície.

 Em outras palavras: com o asfalto ecológico a dilatação continua ocorrendo, mas não há a ruptura do revestimento e a formação das fissuras.  Assim, há maior resistência e a vida útil é maior.

 No asfalto tradicional temos menor elasticidade, o que acaba gerando o aparecimento de fissuras no piso.  A cada veículo que passa sobre essas fissuras temos a compressão da água das chuvas e a formação de buracos e crateras no futuro.

De acordo com o Consórcio Univias, que faz uso do asfalto ecológico, o uso de pneus descartados (que no Brasil chegam a 30 milhões por ano) se traduz em vantagens ambientais, possibilitando a economia de matéria-prima:

  • Petróleo (R$ 14 milhões/1.000 km);
  • Pedras (R$ 26 milhões/1.000 km);
  • Energia (R$ 10 milhões/1.000 km);

O descarte adequado dos pneus evita a sobrecarga dos aterros sanitários, permitindo a ampliação de sua vida útil, o que significa menores custos para a administração pública em termos de manutenção e busca por novas áreas de descarte de resíduos.

Além disso, a opção pelo asfalto ecológico está em consonância com o inciso III, art.33 da Lei n.º 12.305/2010 que instituiu a Política Nacional de Resíduos Sólidos (PNRS), em especial no que concerne à denominada logística reversa.

A logística reversa é um instrumento de desenvolvimento econômico e social caracterizado por um conjunto de ações, procedimentos e meios destinados a viabilizar a coleta e a restituição dos resíduos sólidos ao setor empresarial, para reaproveitamento, em seu ciclo ou em outros ciclos produtivos, ou outra destinação final ambientalmente adequada (inciso XII, art. 3º da PNRS).

Conclusão

A aplicação dessa técnica, desenvolvida nos EUA há mais de 40 anos, pode associar o benefício ambiental ao aperfeiçoamento de nossas rodovias, proporcionando ganhos socioeconômicos e ambientais significativos.

 A desvantagem da técnica está vinculada ao custo mais elevado (30%) em relação ao processo tradicional. Entretanto, a sua crescente utilização poderá gerar ganhos de escala e tornar o processo mais atrativo, inclusive com a redução de custos.

marceloquintiere@gmail.com

MQuintiere@twitter.com

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