Arquivo da categoria: Turismo

Impactos Ambientais – Indústria do Turismo

          Toda e qualquer atividade econômica possui estreita vinculação com o meio ambiente.

            A associação entre a atividade econômica e o meio ambiente pode ser observada nas seguintes dimensões:

  • Aumento da demanda sobre bens e serviços ambientais (ex.: água, solo, oceanos, biodiversidade, etc.);
  •  Geração de resíduos e/ou processos poluentes (ex.: indústria de produtos químicos, resíduos da construção civil, etc.);
  •  Produção de Passivos Ambientais que podem vir a comprometer o meio ambiente (ex.: barragens de resíduos químicos, tanques em postos de combustíveis, etc.).

             A minha intenção, a partir deste artigo, é elaborar uma análise acerca de alguns segmentos econômicos relevantes, destacando o processo econômico sob o ponto de vista ambiental, os impactos sobre o meio ambiente e as medidas corretivas que devemos adotar para minimizar os problemas detectados.

             Este artigo analisará a indústria do turismo.

Considerações Iniciais:

             A indústria do turismo é possivelmente uma das atividades econômicas que apresentam maior sinergia com a proteção do meio ambiente. Em outras palavras a adoção de medidas de proteção ao meio ambiente trará como resultado direto um considerável aumento no fluxo de turistas.

           O turismo constitui uma das vocações econômicas mais evidentes do Brasil, em especial pela oferta de um amplo leque de ecossistemas tais como o Pantanal Mato-grossense, a Zona Costeira, a Mata Atlântica, a Floresta Amazônica, etc.

          Trata-se de uma atividade que não está restrita apenas aos estabelecimentos tradicionais como hotéis, pousadas, albergues, campings e restaurantes, uma vez que envolve todo um conjunto de componentes de apoio, em especial a infraestrutura local.

            O “entorno” vinculado aos projetos turístico, especialmente aqueles de maior envergadura, produz consideráveis impactos ambientais que geralmente passam despercebidos ao cidadão comum.

             Na realidade não podemos pensar em desenvolver um polo turístico que seja realmente sustentável se estiver desconectado da necessária infraestrutura de transporte, alimentação, comunicação, entretenimento, energia elétrica, saneamento básico, etc.

           A título de exemplo, nas atividades atreladas ao saneamento básico devemos considerar a necessidade implantar e manter estruturas complexas destinadas à prestação dos serviços de:

  • Coleta e tratamento dos resíduos sólidos;
  • Captação e tratamento de esgotos; e
  • Captação, tratamento e distribuição de água.

            Assim, a indústria do turismo engloba um conjunto de atividades de suporte/ apoio bem mais amplo do que apenas aqueles estabelecimentos que prestarão os serviços de hospedagem aos turistas.

            Em todo caso é obrigatório verificar o tipo de exploração turística que será desenvolvido e o risco de afetar a capacidade de suporte do ecossistema onde for implantado.

           Um exemplo bastante conhecido está vinculado à limitação de acesso de turistas ao arquipélago de Fernando de Noronha.

           A capacidade de suporte daquele ecossistema é reduzida e impede que o governo permita a entrada de dezenas de milhares de turistas a cada dia.

Alguns Impactos Ambientais Potenciais:

          Embora o senso comum indique que os empreendimentos turísticos possuem reduzido impacto ambiental a realidade observada é bastante distinta, sendo possível apontar diversos impactos negativos na atividade.

           Além dos impactos inerentes aos projetos de infraestrutura já destacados, a atividade turística apresenta alguns impactos que merecem destaque:

  1. Degradação da paisagem original;
  2. Contaminação dos recursos hídricos pela ausência de tratamento do esgoto;
  3. Comprometimento da biodiversidade;
  4. Aumento na demanda por espécies específicas (camarões, ostras, etc.), afetando a capacidade de reprodução;
  5. Aumento do volume de resíduos sólidos com  maior risco de contaminação do solo e dos recursos hídricos;
  6. Crescimento da demanda por energia elétrica e água;
  7. Aumento sazonal da população com impactos na infraestrutura de serviços e na população tradicional;
  8. Deslocamento das populações locais para áreas mais distantes que, muitas vezes, representam maiores riscos à segurança;
  9. Alterações no estilo de vida das populações tradicionais (Meio Ambiente Cultural);
  10. 10.  Impermeabilização de solos decorrente das obras de construção civil;
  11. 11.  Maior risco de degradação de ecossistemas frágeis como mangues, dunas, restingas, corais, etc.;
  12. 12.  Crescimento da população local sem o necessário desenvolvimento de projetos de urbanização; e outros.

 Cuidados Necessários:

            As autoridades, empreendedores e sociedade organizada devem buscar um consenso de modo a garantir o equilíbrio entre a atividade turística que se pretende desenvolver e a razoável proteção do meio ambiente.

             Dentre as ações necessárias destacamos:

  1. Verificar a capacidade de suporte do ecossistema local e sua compatibilidade com a atividade turística a ser implantada;
  2. Desenvolver planos diretores municipais que permitam a proteção de áreas mais frágeis como dunas, mangues, recifes de corais, etc.;
  3. Criação de zonas de proteção em escala municipal, impedindo o desenvolvimento daqueles projetos de maior impacto;
  4. Implantação da infraestrutura associada aos serviços de transporte, energia, saneamento básico, comunicações, etc. dentro de critérios de sustentabilidade e com menor impacto socioambiental;
  5. Implantação de projetos de educação ambiental destinados à população local e aos turistas;
  6. Aperfeiçoar a legislação ambiental em nível municipal para adequar a atividade turística à proteção ambiental;
  7. Maior rigor no que concerne à execução do Estudo de Impacto Ambiental (EIA), em especial quanto à obrigatoriedade legal de realização das audiências públicas.

Conclusão

            A conclusão evidente é que a indústria do turismo possui estreita correlação com os bens e serviços ambientais fornecidos pelos ecossistemas nos quais está inserida, sendo necessário promover a sustentabilidade dos projetos de modo a garantir sua manutenção em equilíbrio com a proteção ambiental.

marceloquintiere@gmail.com

MQuintiere@twitter.com

Bibliografia Consultada:

Banco do Nordeste do Brasil   Manual de Impactos Ambientais – Orientações Básicas sobre Aspectos ambientais de Atividades Produtivas. Fortaleza , 1999.

Anúncios